Último poema.

Tentou duas linhas em sua agenda. Nada. Apenas asneiras e futilidades.
Tentou dois riscos no verso do papel.
Nada.

Então, começou outro poema e o nomeou de “Perdido”.
Após alguns riscos, percebeu que o poema havia se tornado apenas um espelho de como ele estava se sentindo. E com as mãos trêmulas, amassou o papel.

Tentou encontrar algum velho poema, algo que tenha ficado realmente bom.
Achou um rascunho do ensino médio, aquele que sua mãe fez questão de colocar na geladeira.
Procurou por imãs. E por sua mãe.
Lembrou-se que não havia nenhum imã ali. E nenhuma mãe.

Começou outro poema. “Ausência”. Nada.
Sua inspiração o abandonou. Deus o abandonou. Ele mesmo se abandonou. Não havia nada.

Sentou-se no chão, tentou um novo trecho. Riscou apenas uma palavra: “lixo”. Com as mãos trêmulas, rasgou o papel.
Tentou um gole da bebida que insistia em permanecer amarga.
E um cigarro que insistia em permanecer aceso. 
Começou a escrever sobre a estação, a economia, e terminou falando sobre a garota bonita do cinema.

Em uma folha de papel amassada, reescreveu duas linhas.
Abriu as janelas.
Voltou-se ao chão.
E soltou um grito em cada maldito canto daquela casa.
E segurou veneno em cada maldita mão, envenenando sua maldita bebida.
E com certa dificuldade, tentou um novo poema: “Fim”.
E não precisou continuar.

— Marie Devalski

warlessheart:

i would die.
E ele teve um ataque de riso que me fez gostar mais dele.
Tati Bernardi   (via suavizou)

(Source: so-quotes, via p-rometa)


credit
http://beccaaisthename.tumblr.com/ask